segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Inexistência...

Ler ao som de Piotr Ilich Tchaikovsky: Abertura Solene 1812 (Coro de Abertura)

Sob o olhar incrédulo da lua que do céu negro e sem estrelas vigia-me, imploro por complacência.
As lágrimas banham minha face, límpidas e puras, como as gotas de orvalho que brincam sobre as pétalas das dedaleiras após o gotejar de uma chuva veraneia.
A tristeza me consome pela culpa que carrego em minh'alma, conduzindo-me á essa decadência existencial.
Raras reminiscências vagueiam por minha memória, surrada pela vida e apagada pelo tempo.
Viver tornou-se um fado! E a morte sádica delicia-se com meu sofrimento, rejeitando meu desesperado clamor...
Permitindo que minha carcaça seja dilacerada pelo desejo desatino de sua chegada.
Quando em sonho entrego-me aos devaneios que sucumbem de meu âmago...
Desfruto momentaneamente a alegria de recordações passadas e que ao nascer do sol dissipam-se e angustiam-me por serem reduzidas ao nada, diante de meu olhar perplexo.
Resquícios deste passado remoto perturbam-me e fazem com que me questione:
- O que posso eu fazer para então deleitar-me novamente com o calor de um beijo, a proteção de um abraço, o acalentar de um sorriso?
E diante do total vácuo e silêncio que emanam de meu ser como réplica para tal dúbio questionamento...
Sigo á vagar, consumido apenas pela incerteza.
Sonhando com o triunfante dia que encontrarei enfim a solução para este mártir...
Que assola-me e a cada aurora rouba-me as lembranças e o anseio de viver.
Transmutando-me afinal em uma criatura oca e errante.
A qual ninguém pode amparar, pois o principal já lhe foi usurpado:
A existência.

Nenhum comentário:

Postar um comentário