Ler ao som de Beirut: Goshen
Estou desesperado, a angústia me consome...
Procuro-te em todos os lugares e objetos, mas não te encontro.
Onde se escondeu?
Essa casa tornou-se meu próprio mausoléo.
Sem você aqui posso até ouvir os ruídos causados pelas folhas secas que o vento insistiu em amontoar ao chão. As janelas permanecem abertas, como ti as deixou...
Seu riso espontâneo e alegre que preenchia cada minúsculo centímetro disso que chamo de vida, silenciou-se.
Por que têves de partir?
Levou consigo meu coração, minh'alma...
Nunca voltei a presenciar o pôr do sol, ouvi seus velhos discos, nem tive coragem suficiente para enfrentar suas fotografias, que permanecem dentro da gaveta.
Reviro-me na cama á procura de teu corpo, onde pousava a cabeça e todos os problemas dissipavam-se... Hoje eles permanecem e tiram-me o sono.
Acalento-me com suas lembranças... E o tempo impiedoso, esvaece.
Recordo-me de seus lindos olhos e como eles sempre falavam a verdade por mais que a boca traiçoeira quisesse mentir.
Choro desconsolado todas as vezes que te ouço em minhas reminiscências dizendo-me para levar tudo menos á sério.
Tu completavas-me em todos os sentidos que possam existir...
Por que têves de partir?
Talvez seje pelo fato de que eras tão perfeito que todos o queriam para si, e a morte vendo tal preciosidade quis arrebatá-la.
Jamais me esquecerei de ti e de sua felicidade...
Agora, repousar-me-ei e desfrutarei esses poucos minutos, e espero que ao despertar depare-me uma vez mais com seu imponente olhar, e venha finalmente encontrar, alento nos braços teus...
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