Ler ao som de Yann Tiersen: Comptine D'un Autre Éte L'apres Midi
Enquanto penso em nada e foco o vazio...
Um torpor apático volta a abater-se sobre mim!
É a solidão... Que com o passar do tempo mostrou-se minha melhor companhia.
Dias intermináveis...
Horas afim...
Pensamentos suplicantes.
É o duro preço que devo pagar por amar-te.
Perdido estou, e chegada a hora de decidir:
-Continuar a alimentar esse amor ou livrar-me dele?
Perturbadora e importuna faz-se tal dúvida.
Pois quando recordo-me de ti...
O amor dissipa-se em meio a tanta ausência e abandono!
Embebedo-me com luares na tentativa frustrada de amenizar tamanha decepção.
Mas consequente jaz o amanhecer...
Conduzindo-me abruptamente para mais um dia tortuoso.
Habituado estou com a escassez de sua presença...
Que não incomodo-me mais com a fenda em meu peito.
Meu tolo e céptico coração ainda arrisca-se a arquejar...
Não sei por quanto tempo mais, este valente guerreiro seguirá lutando nessa batalha insana.
Agora definhando em leito lúgubre um último pensamento fugaz abstrai-me:
-Será que não vê o meu sofrer?
-Tão cruel és tu, de ver a quem ama-te com tamanha veemência reduzido á escória e nada fazer?
-Não tens complacência?
A contestação para tais devaneios, nunca ouvirei...
A morte silenciou-me com o pesar de suas lutuosas mãos.
Tento libertar-me deste letífero amplexo...
Mas não tenho mais forças, elas abandonaram-me quando o marasmo fez-se presente...
A mercê desse anjo agourento estou.
E rendo-me enfim...
O ar sepulcral tomou posse de meu ser.
E eis que ao findar de minha medíocre existência deparo-me com o que tanto cobicei em vida...
A felicidade.